”O quê? Pode repetir?”

Esta pode ser uma frase frequente no cotidiano das pessoas com dificuldades auditivas.

Mas é comum que diante dos primeiros embaraços na comunicação, o indivíduo adie a ida ao médico, apoiando-se na “justificativa” de que é o interlocutor que fala baixo e não articula bem as palavras ou de que não entendeu porque estava desatento.

A busca pelo diagnóstico e tratamento, geralmente acontece quando as dificuldades se intensificam e os problemas com a inteligibilidade de fala tomam dimensões maiores a ponto dos familiares começarem a insistir na busca por apoio profissional.

Quando diante da confirmação do diagnóstico de perda auditiva irreversível, obtém-se a indicação médica para a adaptação de aparelhos auditivos.

Sem dúvida, os aparelhos auditivos são importantes ferramentas na reabilitação destes pacientes. Mas há de se tomar consciência de que em muitos casos, apenas a adaptação do aparelho auditivo não levará a completa extinção das dificuldades.

Na nossa prática clínica, atendemos diariamente pacientes na área de avaliação auditiva e adaptação de aparelhos auditivos, realizando acompanhamento longitudinal deste público. E na fase inicial, a principal queixa destes pacientes é:

”Estou usando aparelho auditivo, ouço melhor, mas ainda não consigo compreender bem o que é falado!”

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que há um tempo necessário para a adaptação ao uso da tecnologia.

Este tempo pode variar de pessoa para pessoa, podendo levar até seis meses, principalmente nos casos em que a pessoa ficou muitos anos convivendo com a perda auditiva.

Pela privação auditiva prolongada, vai ser preciso “reaprender” a escutar!

E neste período é importante que as pessoas que convivem com o usuário de aparelhos auditivos tenham orientações de como podem favorecer a compreensão da fala. Atitudes simples podem ajudar:

– Falar de frente para o usuário, com fala em velocidade normal e boa articulação;

– Falar um de cada vez, preferindo conversar em locais mais silenciosos;

– Não gritar, pois além de constranger ao ouvinte, não ajuda.

– Se necessário, utilize palavras e frases mais curtas.

Além disso, a adaptação ao novo modo de escuta pode ser favorecida com o apoio de um fonoaudiólogo com experiência em Processamento Auditivo, que utilizará de técnicas e exercícios específicos visando resgatar as habilidades auditivas abaladas pelo tempo que essa pessoa ficou em privação auditiva.

A certeza é de que, quando aliamos a utilização da tecnologia dos aparelhos auditivos, cada vez mais sofisticados, a um treinamento voltado para as dificuldades específicas de cada usuário, o sucesso na reabilitação auditiva será mais facilmente alcançado.

Deisi Garbo – Fonoaudióloga CRF.ª 3 10202

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