As infecções de repetição representam uma queixa frequente em pediatria, principalmente nos primeiros 3 a 5 anos de vida. Nesse período, mesmo crianças saudáveis, podem apresentar até seis infecções das vias respiratórias superiores ao ano.

Esse número aumenta ainda mais naquelas que frequentam creches ou escolas, que são expostas ao tabagismo passivo ou que possuem irmãos mais velhos. Essas infecções, no entanto, não costumam evoluir com complicações e respondem bem aos tratamentos usuais.

As imunodeficiências primárias, agora chamadas de erros inatos da imunidade, representam um grupo de doenças que resultam de defeitos genéticos de um ou mais componentes do sistema imune. Como consequência existe maior suscetibilidade a infecções, doenças autoimunes, autoinflamatórias, atopia e câncer.

Já foram identificadas mais de 250 alterações genéticas relacionadas a essas desordens, porém esse número vem aumentando cada vez mais com o aprimoramento dos estudos genéticos. Estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas sejam acometidas por essas doenças em todo o mundo.

De acordo com o Grupo Brasileiro de Imunodeficiências alguns sinais podem servir de alerta em crianças:

  • Quatro ou mais otites no período de 1 ano;
  • Duas ou mais sinusites graves no período de 1 ano;
  • Uso de antibióticos por 2 meses ou mais com pouco efeito;
  • Duas ou mais pneumonias no período de 1 ano;
  • Dificuldade de ganho de peso ou crescimento abaixo do esperado;
  • Abscessos recorrentes;
  • Estomatite ou candidíase oral ou cutânea por mais de 2 meses;
  • Necessidade de antibiótico venoso para combater infecções;
  • Duas ou mais infecções graves incluindo sepse;
  • História familiar de imunodeficiência primária.

Na presença de sinais de alerta procure seu pediatra para orientação quanto à necessidade de investigação. Lembre-se que o diagnóstico precoce é fundamental!

Dra. Fernanda Tebet

Pediatra e Alergologista Pediátrica.

CRM PR 37122

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