O calor do verão faz aumentar o número de pessoas que buscam refresco na água do mar, piscinas e rios. Por isso não devemos nos descuidar das nossas ORELHAS!
Abordaremos um assunto bem comum nesta época do ano, a otite externa aguda difusa, conhecida como otite do nadador.

Nossa orelha é dividida em três partes: externa, média e interna. A porção externa é constituída pelo conduto auditivo externo (CAE) e pavilhão auricular. A otite externa é um termo genérico que inclui qualquer doença que curse com inflamação ou infecção do conduto auditivo externo (CAE) e pavilhão auricular, podendo variar de simples a doenças fatais. O conduto auditivo externo possui defesas naturais que ajudam a mantê-lo livre de infecção:

Cerume: é o produto da mistura da secreção produzida pelas glândulas sebáceas e ceruminosas junto com a descamação epitelial, pelos e corpos estranhos. Há 2 tipos de cerume, o seco e o úmido, este sendo acastanhado e mole, conhecido como “honey wax” (“cera de mel”), mais comum em brancos e negros; o seco (“rice bran” — “farelo de arroz”) é comum na Ásia, principalmente em japoneses. A função protetora do cerume se deve principalmente à sua característica hidrofóbica, o que impede que a água que penetra no CAE fique estagnada, provocando alterações na pele e maceração, predispondo a infecções.

Pelos: são encontrados na porção lateral cartilaginosa do CAE com suas extremidades orientadas externamente. Os pelos do conduto formam uma barreira contra a entrada de corpos estranhos, mas também podem predispor a impactação de cerume.

Existem vários microrganismos que compõem a flora do conduto. Sua flora normal é estável e não apresenta diferenças significativas quanto a sexo, clima, estação. Fungos raramente são cultivados em CAEs normais.  A manutenção da integridade da pele e da flora normal do conduto auditivo externo é a chave da prevenção da otite externa. Algumas condições a favorecem:

  • Ausência de cerume;
  • Alterações de temperatura e umidade do ambiente;
  • Sensibilidade a xampu e sabonete;
  • Natação, principalmente em água sem o tratamento adequado e por período prolongado;
  • Conduto mais estreito;
  • Traumatismo do conduto com cotonetes ou outro objeto.

A otite externa pode ser muito dolorosa, principalmente ao toque da orelha. Outros sintomas incluem:

  • Coceira;
  • Sensação de orelha entupida;
  • Secreção amarelada;
  • Inchaço e vermelhidão.

Para prevenir podemos secar o ouvido com ar quente, usar protetores auriculares que podem ser confeccionados a partir de uma pré-moldagem personalizada, evitar exposição prolongada à água, evitar nadar ou mergulhar em águas poluídas. Portanto, ao menor sinal de irritação, dor de ouvido procure seu médico Otorrinolaringologista!

Bom verão!

 

Dra. Karen Harumi Uchimura

Otorrinolaringologista. CRM 15289

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